Publicado 15/04/2011 15:31
Primavera de 1982. Governo do presidente João Figueiredo. Ditadura Militar no país. Um evento no Parque da Festa da Uva, em Caxias do Sul, entraria para história do movimento estudantil brasileiro. Até hoje, quase 30 anos depois, o 1o Encontro da Juventude Gaúcha - Cio da Terra é lembrado como marco pela liberdade de expressão. Foram três dias e três noites, de 29 a 31 de outubro, com manifestações culturais. Teatro, dança, música, literatura e longos debates sobre feminismo, ecologia, drogas, sexualidade e, claro, política. Nesta sexta-feira, no encerramento do seminário Memórias em Movimento: Juventude, Cultura e Política, às 20h, será exibido o documentário Cio da Terra, de Cacá Nazário e Éber Marzulo.
Os diretores estarão em Pelotas para debate sobre o média-metragem, de 43 minutos, que a partir de maio deve estar disponível para baixar, através do site www.ciodaterraofilme.com.br. “Temos tido problemas para distribuição. A circulação é o grande nó da cultura brasileira”, afirma Marzulo, que em 1982 incorporou a comissão organizadora do evento que reuniu em torno de 15 mil pessoas - apontam os jornais da época.
O filme, lançado em agosto de 2010, chegou a ser aprovado pela Lei Rouanet, mas a captação de recursos ficou pela metade e a produção total girou em torno dos R$ 100 mil; boa parte da verba investida para adquirir o direito de uso das gravações em Super 8, com assinatura de Mário Nascimento, na direção de fotografia - a quem o documentário também é dedicado. O processo de digitalização do formato oito milímetros também consumiu boa parte do dinheiro, mas garantiu sobrevida ao material, além de dar textura interessante às imagens, mescladas por depoimentos atuais de quem esteve nas três posições: nos bastidores do Cio da Terra, em cima do palco e como público.
Fonte: Diário Popular
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